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Resíduos do disparo de arma de fogo


Não é novidade para ninguém que o Brasil, há muito tempo, lidera o ranking internacional de morte violenta. Segundo dados produzidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2016 o número de assassinatos cometidos no país foi de 62.517. Em dez anos, ocorreram 553 mil mortes, perfazendo o assustador número de 153 mortes/dia.

Destas mortes aproximadamente 71% foram produzidas por armas de fogo, número este que se mantêm dede 2003 (ano de criação do estatuto do desarmamento). Em épocas passadas o patamar girava em torno de 40%. De 1980 até 2016, quase meio milhão de vidas brasileiras foram ceifadas por conta das armas de fogo.


Mortes por arma de fogo no Brasil

Site: https://oglobo.globo.com/brasil/atlas-da-violencia-2018-brasil-tem-taxa-de-homicidio-30-vezes-maior-do-que-europa-22747176

Com números alarmantes o Brasil se equipara às taxas de homicídio de países como El Salvador (76,9%) e Honduras (83,4%) e antagonizando com nossos vizinhos Chile (37,3%), Uruguai (46,5%) e muito distante das taxas registradas na Europa (19,3%).

Pior que as taxas de homicídios no Brasil estão ainda os índices de resolução dos crimes, que se quer dispõe de uma estimativa oficial. A falta de bancos de dados interligados, a pouca troca de informações entre as polícias e o subestimado número de registros de boletins de ocorrências são alguns dos fatores que dificultam esse levantamento. Contudo, considerando apenas as mortes violentas, os números nos mostram o baixo poder de resolução de crimes no Brasil. Segundo levantamentos oficias da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública, somente 6% dos homicídios dolosos (com intenção de matar) são solucionados no país. Nesse contexto se faz cada vez mais necessário o desenvolvimento de novas técnicas periciais que permitam aos investigadores o conjunto probatório mais robusto e que de certa forma possam reverter essa situação.

Atualmente a principal técnica para determinação dos resíduos deixados pelo disparo de arma de fogo é a microscopia eletrônica de varredura (MEV). Contudo, a maioria dos estados não dispõe de deste equipamento nos Institutos de Criminalística. Restando para os entes federativos a técnica colorimétrica, a base de rodizionato de sódio, que apresenta elevados índices de falsos positivos.

Atualmente várias técnicas e protocolos são estudados para baratear e tornar os exames nos resíduos de arma de fogo mais eficientes. Tão é verdade que está em andamento uma pesquisa no Instituto de Física da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) que visa propor uma nova metodologia para a determinação dos resíduos do disparo das armas de fogo. Tal estudo se baseia na técnica LIBS, do acrônimo Laser Induced Breakdown Spectroscopy, é um tipo de espectrometria de emissão atômica que utiliza a geração de plasma através da focalização de um feixe laser de alta potência (~GW/cm2) em um material, que no caso, seriam os resíduos do tiro. Essa alta potência provoca a ablação de uma pequena porção da matéria (~ng), gerando uma pluma de plasma a uma alta temperatura (~ 50.000K). Ao resfriar, o plasma emite linhas espectrais que são características de cada elemento químico, possibilitando a identificação dos elementos presentes (MARANGONI. Bruno).


As principais vantagens da técnica são a rapidez na análise e facilidade no preparo da amostra, por outro laudo a sensibilidade reduzida, se comparado com outras técnicas, é um fator a ser ponderado.

Os estudos seguem orientados pelo Prof. Dr. Bruno Marangoni e os resultados alcançados serão apresentados na forma de dissertação de mestrado do Perito Criminal Rodrigo Wenceslau.

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