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Perícia no local de morte por asfixia

Retomando o conceito de asfixia tratado na semana passada, apenas pra fins de memória, podemos dizer que se trata da interrupção ou da dificuldade de chegar oxigênio aos pulmões. Ainda relembrando, as modalidades mais comuns analisadas pela perícia criminal são estrangulamento, enforcamento, esganadura, sufocamento, soterramento e afogamento.

Partindo agora para o objetivo principal deste texto, vamos apontar os cenários ou ações mais frequentes em perícias de locais de morte por asfixia. Obviamente não há a pretensão de exaurir o assunto neste texto, que seria muito amplo e com muito mais detalhes a se conhecer, mas apenas trazermos o assunto para discussão e informar. 

Conforme a estrutura dos institutos de perícia oficial em nosso país, as perícias no local de morte são essencialmente por meio de sinais externos encontrados. Afinal, os estudos feitos por médicos, a medicina legal, são realizados dentro das dependências dos Institutos de Medicina Legal (IML) ou Institutos de Medicina e Odontologia Legal (IMOL). 


Uma marca bem abundante em um corpo que teve como causa da morte a asfixia são as manchas de sangue pelo corpo (Manchas de Hipóstase). Têm quase sempre a tonalidade bem escura, a não ser nos casos de asfixia por monóxido de carbono, quando assumem aspecto róseo.


Nos casos de asfixia por compressão torácica é muito frequente o aumento do volume de sangue na região da cabeça (Congestão da Face), que em seguida dá lugar à Máscara Equimótica de Morestin (ou cianose cervicofacial de Le Dentut). Vale a ressalva para os casos de afogamento, pois também podem apresentar grande quantidade de acúmulo de sangue na face quando o corpo fica por muito tempo com a cabeça pra baixo.

 

O sangue pode acumular-se sob o tecido em grandes áreas planas, chamadas de púrpuras, ou numa área com grandes hematomas, chamada de equimose. Estas se formam na pele e nas mucosas. No primeiro caso, são arredondadas, de pequenas dimensões e agrupadas, ocorrendo normalmente na face, no tórax e pescoço. Em regiões de declive assumem tonalidades mais escuras. Já nas mucosas, as equimoses são mais frequentes nas conjuntivas palpebral e ocular, lábios e, às vezes, no nariz. Esse sangue acumulado fora das veias se explica pelo vazamento nos capilares que se rompem com o próprio peso do sangue.



Outro sinal externo característico de casos de asfixia são os Cogumelos de Espuma. São formados por bolhas finas de espuma que cobrem a boca e narina, além de se estender pelas vias aéreas. Mais frequentes em casos de afogamentos, mas também podem surgir em mortes precedidas de convulsões e outras formas de asfixia mecânicas. 


De um modo geral, as asfixias mecânicas apresentam livores de decúbito mais extensos, mais escuros e mais precoces. O corpo esfria mais lentamente e a rigidez cadavérica é mais intensa e prolongada. Já a putrefação corpórea é precoce e acelerada em comparação com outras causas de morte. Falando ainda das asfixias mecânicas, não poderia deixar de falar da Projeção da Língua (Língua Protusa) e dos Olhos (exoftalmia). No entanto, estes últimos também são encontrados em cadáveres putrefeitos na fase gasosa ou enfisematosa mesmo que a causa da morte não tenha sido por falta de oxigênio.

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